Fim-de-semana ABVP na Figueira da Foz

Em Fevereiro houve mais um encontro de bloggers da ABVP, desta vez na Figueira da Foz. Um fim-de-semana com puzzles, boa comida, e várias surpresas.

O tempo instável do mês de Fevereiro não foi suficientemente dissuasor para alguns de nós. O encontro estava marcado na Figueira da Foz, e foi ali que nos reunimos ao final da tarde do dia 6, para mais um fim-de-semana de conversas e passeio.

O convite para esta reunião tinha sido feito pelo Pedro Conde, mentor da Mundo do Puzzle – marca portuguesa de puzzles em variados formatos – e do Puzzle Suites B&B, alojamento local onde ficámos hospedados.

O programa do fim-de-semana incluía várias actividades, algumas das quais tiveram de ser canceladas devido à chuva e ao vento que decidiram aparecer em força na tarde de sábado. Nada que nos atrapalhasse – ficámos com mais tempo para conviver dentro de portas, comer e montar puzzles 🙂

Sábado

O programa de sábado começou cedo com uma reunião no Posto de Turismo, onde fomos muito bem recebidos por Anabela Bento, chefe da divisão de Turismo da Câmara Municipal da Figueira da Foz. A chuva impediu-nos a visita guiada que estava prevista, mas aproveitámos uma aberta para ir conhecer o Mercado Municipal Engenheiro Silva, que é um dos espaços mais emblemáticos da Figueira.

Este icónico edifício da “arquitectura do ferro” foi inaugurado em 1882, preservando até hoje a estrutura de metal a ampla nave iluminada característica dos mercados oitocentistas. Apesar de modernizado, mantém as tradicionais bancas de peixe fresco, proveniente da lota local, e de fruta e hortícolas da região do Baixo Mondego, além de talhos, padarias e outros pequenos estabelecimentos tradicionais. O ambiente é convivial e alegre, e percebe-se que mais do que um ponto de abastecimento, este mercado é um lugar de encontro entre vizinhos, entre quem se conhece pelo nome próprio, entre quem vende e quem compra.

Para almoçar escolhemos o Olaias, situado no Centro de Artes e Espectáculos, um restaurante que privilegia os produtos sazonais da região. Do menu concebido pela chef Mónica Gomes provámos o arroz de corvina selvagem e o arroz de forno de polvo; ambos excelentes, não conseguimos decidir de qual deles gostámos mais.

A tarde ameaçava temporal, sendo portanto perfeita para visitar o Museu Municipal Santos Rocha – que é “só” uma das instituições museológicas mais antigas de Portugal, apesar de pouco conhecido. Fundado a 6 de Maio de 1894 por António dos Santos Rocha (1853-1910), arqueólogo figueirense movido por uma curiosidade incansável, nasceu do desejo de dar casa ao espólio reunido nas escavações da Serra da Boa Viagem e de o colocar ao serviço do conhecimento. Depois de ter funcionado na Casa do Paço e nos Paços do Concelho, o museu encontrou, em 1975, morada definitiva no edifício projectado pelo arquitecto Isaías Cardoso, com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, consolidando a sua dimensão científica e cultural.

Percorrer as muitas salas deste museu é cruzar milhares de anos de presença humana neste território atlântico. As peças pré-históricas e os vestígios da ocupação romana formam o núcleo fundador e continuam a ser o eixo que estrutura a visita. Em redor deste eixo gravitam colecções de arte sacra, numismática, armaria e mobiliário indo-português, bem como um vasto acervo etnográfico proveniente de África, Ásia e América do Sul. Cada conjunto reflecte não apenas épocas e geografias distintas, mas também a mentalidade coleccionista de finais do século XIX, com as suas ambições científicas e os seus silêncios.

Entre as obras de maior impacto visual destaca-se uma monumental tapeçaria produzida na efémera Fábrica de Tapeçarias de Tavira, projecto industrial e artístico de curta duração, mas de ambição notável. Pela escala, pela densidade cromática (apesar de já esbatida pelos anos) e pela mestria técnica, a tapeçaria impõe-se como afirmação de um projecto artístico-industrial que não perdurou no tempo, mas que deixou marca. No contexto do museu, funciona como contraponto visual às colecções arqueológicas, acrescentando-lhe uma dimensão estética.

Distinguido em 1993 como melhor museu do ano pela Associação Portuguesa de Museologia, o museu mantém uma programação regular de exposições temporárias e iniciativas culturais. Mais do que um repositório de objectos, assume-se como espaço de investigação, reflexão e mediação cultural, ligando escavações oitocentistas, objectos vindos de outros continentes e inquietações contemporâneas.

No regresso ao alojamento, mais cedo do que o previsto porque a previsão de ventos fortes impunha recolhimento, parámos na Pastelaria Dionísio para provar as Brisas da Figueira, consideradas o ex-libris da doçaria figueirense. Como tantos outros doces portugueses, são de origem conventual e feitas com açúcar, ovos, miolo de amêndoa, água e vinho do Porto, em proporções adequadas para compor o recheio de uma base de massa quebrada. Se nunca provaram, fica a sugestão, porque estas brisas são bem mais agradáveis do que a “brisa” pouco suave que se instalou por aqueles lados nas horas seguintes.

Domingo

O Puzzle Suites B&B fica numa das casas mais bonitas e emblemáticas da Figueira da Foz, com uma fachada fora do comum ornamentada com colunas e vasos com flores de cerâmica pintadas.

Todo o interior da casa está decorado a condizer com o nome. Há puzzles das mais variadas espécies e tamanhos nos espaços de circulação, na zona de refeições e nos quartos. Cada quarto tem uma temática diferente, dada pelo puzzle em tamanho gigante colocado na parede, quase em jeito de cabeceira da cama. Colchão confortável, ar condicionado para combater o frio do exterior, casa-de-banho moderna, com banheira – tudo o que é preciso para dormir bem e acordar descansada.

Pequeno-almoço tomado na sala de refeições que também nos serviu de sala de trabalho durante o fim-de-semana, fomos espreitar a loja da Mundo do Puzzle, que fica na porta ao lado do alojamento. Para quem gosta de puzzles (que é o meu caso), esta loja é uma tentação. Encontramos ali tudo o que é possível encontrar em forma de puzzle, e que vai muito para lá dos comuns puzzles bidimensionais. Há puzzles que se transformam em mealheiros, cache-pots, capas para livros, porta-chaves… a imaginação parece ser o limite.

Esta nossa visita deu frutos: vai nascer uma parceria entre a ABVP e a Mundo do Puzzle, que passará em breve a incluir no seu catálogo puzzles com fotografias da autoria dos nossos associados, numa colecção que terá o nome de “Portugueses pelo Mundo”.

Depois do sábado cinzento e chuvoso, o domingo ofereceu-nos sol a rodos e a oportunidade de um breve passeio na avenida que acompanha a praia da Claridade. Bom tempo pede almoço de peixe, por isso rumámos a Buarcos. É estranho comer sardinhas assadas em Fevereiro? Pois será, não digo o contrário. Mas é o único prato que o restaurante Mar à Vista serve, durante todo o ano, e nesta altura temos pelo menos a vantagem de não precisar de reservar ou esperar em longa fila. Claro que a sardinha que comemos tinha sido congelada; mas estava muitíssimo bem assada, pingando a preceito para poder ser comida sobre broa, e veio acompanhada por uma bela salada e batata cozida saborosa. E o leite-creme (verdadeiro!) da sobremesa também não desiludiu.

Os nossos encontros de fim-de-semana são sempre cheios de boas surpresas, e este não foi excepção.

Participaram neste encontro:

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Ana C. Borges
Ana C. Borges

Gosta de passeios longos e conversas intermináveis, de ver o que ainda não conhece e rever os lugares do coração. Fotografa para memória futura. Escreve porque lhe sabem bem as palavras. Viaja por paixão – e porque o mundo é demasiado grande para ficarmos quietos. É autora do blogue Viajar porque sim.

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